09/07/2026
1969. São Paulo.
O engenheiro João Augusto Conrado do Amaral Gurgel funda a Gurgel Motores.
A meta era ambiciosa: criar um carro genuinamente nacional, pensado para as condições reais das estradas brasileiras.
A empresa ganhou espaço com utilitários e veículos off-road resistentes.
Mas Gurgel queria ir além.
Em 1974, no meio da crise do petróleo, ele apresentou o Itaipu E150.
Um carro elétrico, movido a baterias, com autonomia entre 60 e 80 km.
O nome era uma homenagem à usina de Itaipu, símbolo da energia elétrica brasileira.
Décadas antes de qualquer debate global sobre eletrificação, Gurgel já defendia sustentabilidade e independência energética para o setor automotivo.
Depois veio o BR-800, lançado em 1988.
Um carro popular, com estrutura leve em fibra de vidro e motor próprio, o Enertron.
Para viabilizar as vendas, o governo chegou a dar incentivo fiscal a quem comprasse o modelo.
Mas o cenário era hostil.
Concorrência de multinacionais com muito mais estrutura.
Falta de crédito. Falta de apoio consistente do Estado.
Em 1994, a Gurgel Motores foi à falência.
João Gurgel morreu em 2009 sem ver o mundo correr atrás da ideia que ele já tinha colocado nas ruas décadas antes.
Hoje, montadoras do mundo inteiro investem bilhões para eletrificar suas frotas.
A ideia nunca foi o problema.
O problema foi o quanto o mundo ao redor estava disposto a apostar nela na hora certa.
Fonte: PatioHype — CPG Click Oil and Gas
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