SONHOS - Uma das palavras preferidas da fundadora da Casa dos Colchões, Dirlei do Rocio Dalavechia dos Santos. Descendente de italianos, criada no bairro de Santa Felicidade em Curitiba, na chácara das freiras, da qual seu pai Nicolau era o caseiro. A única menina, numa família de mais três irmãos, foi forjada pela mãe, a forte Dona Felestina.
Dirlei amava leitura e estudar, não se conformava em engolir opiniões. Na sua juventude era calada pela timidez, e muitas vezes pelo sistema que a sufocava. Não pode terminar o segundo grau, porque precisava trabalhar. Casou-se em 1982 com um lapeano muito simpático e criativo para os negócios. Foi assim que viajaram o Brasil vendendo livros da Enciclopédia Britânica. Compraram um terreno e e construíram uma casa.
Foi então que o SONHO de ser mãe começou a gritar tão alto... Dirlei deixou os negócios e passou a se dedicar à maternidade. Um sonho que parecia impossível aos olhos médicos que a consideraram estéril, mas milagrosamente ela concebeu. Uma, duas, três vezes. Três meninas, diferença de dois anos cada. Era o mundo cor-de-rosa que alegrou os seus dias.
Em tempos de crise, nos tempos de Sarney, quando a coisa apertou e faltava carne e comida nos mercados, sua horta era abençoada e também se tornou criadora de coelhos. Carne de coelho cozida, assada, grelhada... Muita salada e legumes... Fazia vestidos de tricô para as meninas, enfeitava com a pele de coelhos, laços e pérolas. Trocava coelhos e hortaliças na vizinhança por leite e outros produtos.
Quando a filha mais nova entrou na pré-escola, começou a pedir a Deus na Igreja por uma oportunidade de voltar ao mercado de trabalho. Ela tinha o SONHO de abrir o seu próprio comércio. Com inspiração celestial, começou a pesquisar e percebeu pelo problema que ela mesmo tinha tido. Havia sido enganada em uma aquisição de colchão tão duro que inflamou de tal maneira seu nervo ciático que tinha dores horríveis na coluna. Um dia ela chegou a rasgar o travesseiro em que dormia e percebeu quão absurdo era o material daquele produto tão caro. Descobriu que queria então não apenas vender, mas oferecer produtos de qualidade para melhorar qualidade de vida das pessoas.
E foi assim que nasceu a CASA DOS COLCHÕES em Santa Felicidade, uns 30 anos atrás, ao lado do mercado Parati. Meia dúzia de colchões, cuidadosamente selecionados e camas tubolares. Dirlei se tornou profunda conhecedora e perita em vender aquilo que a pessoa realmente precisava. A loja cresceu, logo seu esposo deixaria suas representações e também se tornaria um incentivador do negócio. Uma, duas, três, quatro, cinco, seis e sete lojas na cidade.
SOBREVIVENDO A CRISE
Vieram anos difíceis. O inesperado aconteceu e muitas grandes indústrias de colchões entrando em falência deixando a nossa loja com um estoque de produtos de assistência técnica. Foi nesta época que Dirlei foi diagnosticada com câncer de mama nível 4. A doença está nos livros, nas pesquisas. Mas quando encontra o ser humano, ela produz uma melodia única em cada pessoa, chamada sofrimento. Sofrimento: Físico, Emocional, Social e Familiar. Foi neste momento em que afastada dos negócios, concluiu o segundo grau, pois amava estudar e também fez seu Bacharelado. Novo diagnóstico: Metástase: Osso, fígado e pulmão afetados.
“Já sabíamos o tratamento que a médica iria anunciar. Já conhecíamos os efeitos colaterais anteriores. Mais um ano de sofrimento na carne, e agora somam-se: tonturas e fraqueza; Falta de apetite; Feridas na boca; Unhas quebradiças e escuras. Junto com o Diretor do ITQ, fomos informar que como ela queria continuar estudando, iríamos providenciar uma maneira de transmitir para ela a aula online. Ela não aceitou. Mulher de fibra. Eu vou estar onde meus colegas estão. Vou sentar e estudar com eles”. Daiane, filha.
Fomos vendendo as lojas para funcionários e outras redes, afim de passarmos mais tempo em família.
“Tinham dias que ela não podia subir as escadas. Ela sentava no “trono” como os colegas diziam, e levavam ela na cadeira até a sala. Ninguém desistiu. A única turma até hoje onde todos os alunos que iniciaram o ano concluíram. Não tinha como desistir. Ela não faltava. Quem tinha coragem de faltar? Ela se formou com honra, e o seu TCC foi homenageado, a maior nota de todos os tempos. A porta do confronto, do sofrimento, da doença, da morte todo mundo quer manter fechada. E por mais que acreditasse no milagre, no sobrenatural, um tempo antes de partir para eternidade fomos confortados com esta Palavra: “Ninguém te poderá resistir, todos os dias da tua vida; como fui com Moisés, assim serei contigo; não te deixarei nem te desampararei. Esforça-te, e tem bom ânimo; porque tu farás a este povo herdar a terra que jurei a seus pais lhes daria. Tão-somente esforça-te e tem mui bom ânimo, para teres o cuidado de fazer conforme a toda a lei que meu servo Moisés te ordenou; dela não te desvies, nem para a direita nem para a esquerda, para que prudentemente te conduzas por onde quer que andares”. Josué 1:2-9. Danielle, filha.
“Minha mãe se foi, mais deixou um legado de fé e coragem!” Aline, filha.
Hoje, a Casa dos Colchões é uma loja que tem base sólida, gerada em tempos de crise, administrada pela Daiane, que tem o vendedor mais carismático do planeta, o pai Ireno. A Aline é suporte do financeiro e a Danielle auxilia no Marketing. Essa é a Casa dos Colchões, uma família que é de casa, e que ama ver pessoas sorrindo porque mudaram a qualidade de vida e voltaram a sonhar, planejar e realizar. Isso tudo porque passaram a ter qualidade de sono com a compra do colchão ou travesseiro correto pelo melhor preço da cidade.