Galeria Diletante

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A Galeria Diletante tem em seu acervo peças marcantes do design moderno brasileiro.

13/04/2026

Em abril de 2026, Percival Lafer completa 90 anos. Celebramos a trajetória desse arquiteto, designer e desenhista industrial de móveis, cuja obra se afirma, ao longo do tempo, como uma referência fundamental para o design de mobiliário no Brasil.

Dentre as peças de sua autoria presentes em nosso acervo, destacamos a poltrona MP-29, pertencente à linha de móveis desenvolvida a partir dos anos 1960 sob a lógica da produção seriada. Inserida no momento de consolidação da indústria nacional de mobiliário, a peça expressa a proposta de aliar desenho moderno, viabilidade técnica e alcance ampliado, deslocando o móvel de autor para um contexto mais acessível e cotidiano.

Com estrutura em madeira aparente e volumes estofados generosos, a MP-29 apresenta construção direta e proporções voltadas ao conforto. Seu desenho claro revela o compromisso com a funcionalidade e a repetição industrial, sintetizando uma abordagem em que forma, uso e produção se articulam de maneira consistente.

Ficha técnica:
Percival Lafer
Poltrona MP-29
Madeira de jacarandá e estofamento
90 x 70 x 70 cm

Referências visuais:
Jayme Vargas, Percival Lafer: Design, Indústria e Mercado, São Paulo: Olhares, 2018
Revista Alecrim, 2017

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10/04/2026

Criada por Jorge Zalszupin por volta de 1959, no início das atividades da L’Atelier, a poltrona presidencial surge para atender a ambientes institucionais. Associada a espaços de representação e cargos de autoridade, sua concepção responde à necessidade de um assento confortável e ao mesmo tempo compatível com a formalidade de gabinetes e edifícios públicos.

A peça apresenta estrutura em madeira com formas curvas, combinada a base metálica e assento e encosto estofados, configurando um conjunto de proporções amplas. Seu desenho equilibra conforto e formalidade, adequado a situações de uso ligadas à representação, nas quais o mobiliário assume função simbólica.

Ficha técnica:
Jorge Zalszupin
Poltrona Presidencial
década de 1960
Compensado folheado em jacarandá, metal cromado e estofamento
74 x 96 x 75 cm

Referências visuais:
Maria Cecilia Loschiavo dos Santos, Jorge Zalszupin: Design Moderno no Brasil, São Paulo: Olhares, 2014.

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07/04/2026

Concebida por Sergio Rodrigues em 1985 mas com origem em um projeto de 1978, a Poltrona Cuiabá foi criada para o Hotel Eldorado Cuiabá, em Mato Grosso. Seu desenvolvimento se dá a partir das condições de produção disponíveis na região, que não contava com recursos de marcenaria sofisticados. A partir disso, Sergio desenvolve toda a linha de assentos com base em quadros laterais de seções simples e cantos arredondados, permitindo variações tipológicas por meio do ajuste das peças internas.

A poltrona apresenta estrutura em madeira de freijó com esses quadros laterais aparentes, que organizam o conjunto e recebem assento e encosto estofados. A construção direta define proporções e uso, mantendo um desenho claro e contínuo, sem abrir mão da qualidade formal característica de sua obra.

Ficha técnica:
Sergio Rodrigues
Poltrona Cuiabá
1985
Madeira de freijó e estofamento
80 x 54 x 50.5 cm

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06/04/2026

A Poltrona Dinamarquesa, criada por Jorge Zalszupin em 1959, foi produzida no contexto da transição do desenho sob medida para uma produção pensada em série. Seu nome explicita o diálogo com o design escandinavo, em especial com Hans Wegner e Finn Juhl, perceptível na clareza estrutural e nas linhas orgânicas contidas. Ao mesmo tempo, a peça incorpora uma leitura local, com o uso de madeiras brasileiras e uma linguagem alinhada à arquitetura moderna.

A poltrona apresenta estrutura em madeira maciça, braços contínuos, pernas esbeltas e assento estofado. Os encaixes são precisos e as linhas fluem de maneira equilibrada, definindo sua forma e proporção com simplicidade e rigor construtivo.

Ficha técnica:
Jorge Zalszupin
Poltrona Dinamarquesa
1950
Madeira de jacarandá, tecido e almofadas soltas
72 x 68 x 73 cm

Referências visuais:
Casa & Jardim, ed. 108, pág. 12 (janeiro, 1964).
Acrópole 266 (dezembro, 1960)
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02/04/2026

Esta escrivaninha faz parte produção desenvolvida por José Zanine Caldas à frente da Móveis Artísticos Z, na década de 1950, quando o uso do compensado viabilizou a criação de peças leves, funcionais e voltadas à produção em série. Nesse contexto, o material não apenas responde a questões técnicas e econômicas, mas também orienta diretamente o desenho do móvel.

A peça articula um tampo retangular a um corpo lateral com três gavetas, contraposto por apoio em compensado recortado, definindo uma composição assimétrica de caráter funcional e desenho sintético.
A pátina e os sinais de uso acentuam seu caráter utilitário e a natural passagem do tempo.

Ficha técnica:
José Zanine Caldas
Escrivaninha
1950
Compensado de madeira 20mm
74 x 110 x 70 cm

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30/03/2026

A mesa de jantar 511, de Jorge Zalszupin, insere-se no momento inaugural da atuação da L’Atelier, fundada em 1959 em São Paulo. Nesse contexto — frequentemente descrito por estudos especializados como uma fase “heroica” de implantação do móvel moderno no Brasil —, suas peças buscavam conciliar desenho autoral, execução artesanal e uma progressiva aproximação com a produção em série. A mesa 511, documentada no primeiro catálogo da L’Atelier e apresentada na galeria do Conjunto Nacional — um dos principais polos de difusão do design moderno paulistano à época —, participa diretamente desse esforço do designer em conciliar sofisticação formal e viabilidade produtiva.

Com tampo em madeira nobre e bordas suavemente trabalhadas, a peça se apoia sobre uma estrutura que combina elementos em madeira e, em alguns exemplares, componentes metálicos. O equilíbrio entre robustez e leveza visual, sem recorrer a excessos ornamentais, configura uma articulação precisa entre rigor construtivo e clareza formal, recorrente na produção de Zalszupin nesse período.

Ficha técnica:
Jorge Zalszupin
Mesa de Jantar 511
1959
Madeira de jacarandá e ferro pintado de preto
75 x 200 x 104 cm

Referências visuais:
Casa & Jardim, ed. julho de 1966, pág 47.

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27/03/2026

Assinado por Martin Eisler, em parceria com Carlo Hauner, o carrinho de chá insere-se no contexto da produção da Forma, nos anos 1950. Nesse período, a dupla articula uma linguagem que aproxima desenho e indústria, introduzindo novas tipologias domésticas associadas a hábitos urbanos emergentes, como o serviço móvel e a sociabilidade no interior da casa.

Com estrutura em madeira de desenho leve e contínuo, prateleiras em vidro e o uso de rodízios, a peça revela uma concepção de mobiliário orientada pela mobilidade e pela flexibilidade do espaço. Mais do que um elemento auxiliar, o trolley expressa uma mudança no modo de habitar, sintetizando a incorporação de referências internacionais a partir de uma leitura sensível aos materiais e usos do contexto brasileiro.

Ficha técnica:
Martin Eisler & Carlo Hauner
Carrinho de chá
déc. de 1950
Madeira de jacarandá e vidro original
78 x 84 x 50 cm

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designcolecionavel

26/03/2026

Criado em 1954 por Sergio Rodrigues, o sofá Hauner marca surge num momento de ruptura: quando o designer começa a se afastar de um funcionalismo mais rígido que dominava o design internacional e a ensaiar uma linguagem mais solta, confortável e ligada à cultura material brasileira.

Seu nome é uma homenagem a Carlo Hauner, com quem Rodrigues colaborava naquele período. O projeto, desenvolvido ainda no contexto da loja Forma, em São Paulo não chegou a ser plenamente acolhido naquele ambiente, antecipando o deslocamento de Rodrigues para o Rio de Janeiro e a fundação da Oca, em 1955.

A estrutura em madeira aparente, aliada às almofadas soltas e à presença de uma prateleira posterior integrada, revela uma concepção de mobiliário mais livre, capaz de organizar o espaço para além da relação com a parede.

O exemplar apresentado integrou a coleção do escultor Sergio Camargo, estabelecendo um elo significativo entre o mobiliário moderno brasileiro e o campo das artes visuais.

Ficha técnica:
Sergio Rodrigues
Sofá Hauner
1954
Madeira de peroba maciça e almofadas soltas
75 x 154 x 110 cm

Referências visuais:

Acervo do Instituto Sergio Rodrigues

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24/03/2026

Criado em 1963 por Sergio Rodrigues, o Banco Magrini surge no momento de maturidade de sua produção, já posterior à criação da Oca (1955). Seu nome remete a Franco Magrini, engenheiro e colaborador próximo do designer, expressando o caráter relacional e afetivo que permeia parte de sua obra.

De pequenas dimensões e estrutura precisa, a peça evidencia a legibilidade dos encaixes e a expressividade da madeira características recorrentes na obra de Rodrigues. Seu caráter versátil — entre assento e apoio — revela uma concepção de mobiliário mais livre e informal, ao mesmo tempo em que reafirma a síntese entre tradição artesanal e produção moderna que define sua trajetória.

Ficha técnica:
Sergio Rodrigues
Banco Magrini
1963
Madeira de pinho de riga
37 x 42 x 36 cm

Referências visuais:

Casa & Jardim, edição 129, pág. 55 (outubro, 1965)
Catálogo da Oca (década de 1960)

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23/03/2026

Produzida entre 1959 e 1965, por Jorge Zalszupin, no contexto de sua atuação na L’Atelier, a Mesa Guanabara integra o momento de consolidação do mobiliário moderno no Brasil. Produzida em série limitada, a peça reflete o esforço de aproximação entre design e indústria, característico da atuação de Zalszupin nesse período.

O tampo é composto por lâminas de madeira em diferentes tonalidades — geralmente jacarandá — formando uma superfície taqueada, enquanto a base em concreto, com ou sem revestimento em couro, estabelece um contraste bruto com a madeira e evidencia o interesse de Zalszupin pela combinação de materiais distintos.

Ficha técnica:
Jorge Zalszupin
Mesa Guanabara
1959
Madeira de jacarandá e concreto
75 x 250 x 125 cm

Referências visuais:

Maria Cecilia Loschiavo dos Santos, Jorge Zalszupin: Design Moderno no Brasil, São Paulo: Olhares, 2014.

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19/03/2026

Sergio Rodrigues sempre enxergou o mobiliário como parte essencial da arquitetura, e a Mesa Vitrine, criada em 1958 para o Museu JK, em Brasília, reflete essa visão de maneira precisa. Desenvolvida para expor objetos sem comprometer a estética do espaço, a peça combina a solidez da madeira de jacarandá com a leveza do tampo de vidro, criando um equilíbrio entre estrutura e transparência.

Com um desenho funcional e sofisticado, a base em cruzeta evidencia o domínio do designer sobre a madeira e sua habilidade em criar peças robustas sem perder a fluidez. Sua forma elegante e proporções bem resolvidas fazem dela uma escolha versátil, integrando-se a diferentes ambientes sem abrir mão do caráter escultural.

Ficha Técnica:
Sergio Rodrigues
Mesa Vitrine
1958
Madeira de Jacarandá e Vidro
40 x 120 x 43 cm
(15 3/4 x 47 x 1/4 x 16 7/8)




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13/03/2026

Desenvolvido em 1955 por Sérgio Rodrigues no ambiente criativo da Oca, o Banco Mucki foi concebido como uma peça polivalente. De desenho simples e funcional, pode ser utilizado tanto como assento quanto como mesa auxiliar, em diferentes contextos do espaço doméstico.

A madeira, trabalhada com precisão e economia de gestos, confere à peça solidez e presença, ao mesmo tempo em que preserva uma simplicidade quase essencial. O Mucki integra o repertório de obras que ajudaram a consolidar uma linguagem própria para o mobiliário brasileiro no século XX, marcada pela clareza formal, pela robustez e pela relação íntima com o uso cotidiano.

Referências visuais:

Acervo do Instituto Sergio Rodrigues
Catálogo para vendedores da Oca (década 1960).

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