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27/11/2018

Agronegócios Agroindústria
05/04/2018 às 17h24
Guerra comercial ajuda vendas de máquinas agrícolas, diz Anfavea
Por Kauanna Navarro | Valor
SÃO PAULO - A guerra comercial entre Estados Unidos e China - que se acirrou ontem com o anúncio de sobretaxação de 25% para diversos produtos americanos em território chinês, entre eles, a soja e o algodão -, aliada à quebra de safra de soja e milho na Argentina, tende a impulsionar as vendas de máquinas agrícolas no país. “Essa guerra entre EUA e China traz uma oportunidade muito grande para o Brasil, somada à seca na Argentina. O produtor está com produtividade alta e rentabilidade alta e isso se traduz em maior investimento de bens de capital”, disse Alfredo Miguel Neto, vice-presidente da Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea), durante coletiva de imprensa.

Analistas acreditam que o acirramento da guerra comercial entre EUA e China deve elevar as exportações brasileiras em 4 milhões de toneladas, chegando ao volume total de 74 milhões de toneladas. O vice-presidente da Anfavea acredita que também deve ajudar no aumento de vendas de máquinas agrícolas no mercado interno o plano de macrologística para a agropecuária, lançado neste mês pelo Ministério da Agricultura. No caso especifico de Mato Grosso, o plano prevê conclusões do pavimento nas BRs 163, 174 e 158 e tem como prioridade a integração dos modais – rodovias, ferrovias e hidrovias. A expectativa é de que até 2022 a Ferrovia Senador Vicente Vuolo chegue até Lucas do Rio Verde e Sorriso, para o norte; e até Vilhena (RO), para o Oeste.

“Se os investimentos para o plano de cinco anos começarem neste ano, e, pelo menos, melhorar a BR 161, o produtor terá um aumento de rentabilidade enorme e oportunidade para exportar para a China a partir do Norte do país”, disse Miguel Neto.

Os executivos da associação estão otimistas com o aumento de vendas de máquinas no mercado interno neste ano. “Com toda a certeza, no próximo mês ou em dois meses, vamos fazer um ajuste na previsão de aumento de vendas de 3,7%. Essa foi uma projeção muito conservadora”, disse Antonio Megale, presidente da Anfavea. Em janeiro, a associação divulgou a previsão de crescimento de vendas de máquinas agrícolas de 3,7% no mercado interno, para 46 mil unidades. A revisão, segundo Megale, está apoiada nas perspectivas positivas para o setor e, também, no avanço de vendas de caminhões. “Caminhão é PIB [Produto Interno Bruto]! Uma recuperação no setor, mostra uma recuperação da economia e teremos uma grande safra a transportar”, afirmou.

No mês passado, a feira “Show Safra BR-163”, realizada em Lucas do Rio Verde (MT), mostrou “vendas extraordinárias”, segundo o vice-presidente da Anfavea. E a Agrishow - maior feira do setor de máquinas e que ocorre no fim deste mês - deve reforçar essa percepção de aumento de vendas em 2018 em ritmo maior que o previsto inicialmente pela Anfavea. “A nossa expectativa com a Agrishow é grande, as últimas feiras mostraram vendas muito boas”, disse Alfredo Neto.

Outro ponto a ser observado, destacou o vice-presidente da associação, é o aumento de vendas de máquinas de maior porte. "As vendas de máquinas maiores estão crescendo. Isso significa uma adoção em massa de agricultura de precisão, o que é fundamental para aumentar a produtividade hoje", afirmou Alfredo Miguel.

Moderfrota

O setor de máquinas agrícolas deve demandar “pouco mais” que o montante de R$ 10 bilhões a ser destinado para o Moderfrota (linha de crédito do Plano Safra voltada à aquisição de máquinas) no Plano Safra 2018/19, segundo já garantiu o governo. “O governo já garantiu R$ 10 bilhões, mas queremos pouco mais que isso”, afirmou Alfredo Miguel.

No ciclo 2017/18 foram direcionados R$ 9,2 bilhões. “Você coloca na conta a inflação [de 2,95% segundo o IPCA] e soma com a expectativa de aumento de vendas, então, queremos um aumento um pouco maior de recursos”, disse. A projeção da Anfavea é que as vendas de máquinas agrícolas e rodoviárias no mercado interno cresçam 3,7%, para 46 mil unidades. Esse número, contudo, deve ser revisado para cima dentro de dois meses, garantiram executivos da associação.

O anúncio do Plano Safra 2018/19 deve ser antecipado neste ano e ocorrer antes de junho, como normalmente acontece, em decorrência das eleições presidenciais. “Mesmo que ocorra agora em abril, pedimos que se torne operacional imediatamente”, afirmou Miguel Neto. Caso esse pedido seja atendido, os novos recursos poderão estar disponível durante a Agrishow - maior feira do setor e que ocorre no fim deste mês.

27/11/2018

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27/11/2018

A importância do agronegócio na economia brasileira já é amplamente divulgada e documentada em números e estatísticas. Em 2017, este setor alcançou a sua contribuição recorde para o Produto Interno Bruto (PIB) do País, 23,5%, e foi responsável por 48% das exportações. Sistemas informatizados dos mais variados tipos gerenciam as atividades agropecuárias no Brasil, medindo insumos, produção, mercado, entre outros fatores envolvidos nesse cenário, que há décadas mantém o predicado de carro-chefe da economia nacional. Por outro lado, a produção de resíduos e efluentes resultantes dessas atividades não possui o mesmo nível de tecnologia e organização. Para tentar reverter essa situação, a Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) e a Agência Brasileira de Desenvolvimento Industrial (ABDI) se uniram para desenvolver um sistema que vai mapear e organizar as informações das biomassas, resíduos e efluentes do agronegócio brasileiro com foco na bioeconomia

A iniciativa está sendo iniciada com um sistema-piloto na cidade de Lucas do Rio Verde, em Mato Grosso, estado que responde por mais de 50% do agronegócio no Brasil. No dia 30 de agosto de 2018, o sistema será apresentado aos produtores e empresários da região em um workshop na parte da manhã, seguido por uma rodada de inovação tecnológica na parte da tarde (veja mais detalhes no final da matéria). O sistema será online e ficará à disposição do público nos portais da Embrapa e da Agência, com níveis diferenciados de acesso para casos de confidencialidade de informações. O projeto, fruto da parceria entre Embrapa e ABDI, faz parte das ações da Rede Nacional de Produtividade e Inovação (Renapi), iniciativa que apoia estados, municípios e aglomerações produtivas em ações voltadas ao desenvolvimento industrial e atua na articulação entre instâncias e atores da indústria nos territórios.

Os resíduos de biomassa - de origem doméstica, agropecuária ou industrial - podem causar sérios problemas ao meio ambiente e à saúde pública, se descartados de modo inadequado. Segundo o pesquisador da Embrapa Agroenergia e corresponsável pelo projeto, Bruno Laviola, o objetivo da nova ferramenta é transformar esses problemas em soluções, apontando tecnologias para transformação dos materiais residuais em novos produtos.

Sistema terá foco na bioeconomia

Ele explica que o objetivo do sistema é trabalhar as biomassas e resíduos agrícolas sob o olhar da bioeconomia. Ou seja, não se trata apenas de mapear e organizar as informações, mas sim de agregar valor aos resíduos e efluentes, com foco na gestão ambiental e geração de renda. Além disso, o sistema irá contribuir para o posicionamento da agroindústria em função da ocorrência e disponibilidade da matéria-prima.

A ferramenta vai oferecer ao usuário informações completas sobre as biomassas de vários produtos de agroindústrias, além de indicativos de utilização sustentável. “Ao clicar em um determinado produto, a pessoa terá acesso a dados sobre as matérias-primas relacionadas, incluindo tipo, localização, entre outros, e também a soluções tecnológicas que incentivem a sua utilização de forma produtiva”, explica.

Transformação de biomassa em energia

Uma das aplicações mais importantes, do ponto de vista econômico, é a transformação da biomassa em energia. O déficit de distribuição e da qualidade energética é um dos maiores problemas enfrentados hoje no Brasil. Segundo estimativas da Associação Brasileira de Engenharia de Produção (Abepro), aproximadamente 40% da produção agroindustrial são perdidas hoje no País em decorrência de instabilidade de energia, o que representa um prejuízo de 52 milhões de reais por ano.

O uso de biomassa residual é uma opção viável para a substituição dos derivados de petróleo no Brasil. Um exemplo emblemático é a utilização do bagaço da cana-de-açúcar na indústria sucroalcooleira para gerar v***r e suprir a energia e eletricidade necessárias ao funcionamento das usinas.

“Esse é apenas um dos exemplos de sucesso de utilização de materiais residuais da agropecuária”, pontua Laviola, lembrando que a Embrapa Agroenergia vem trabalhando em tecnologias para aproveitamento racional de biomassa desde a sua criação em 2006. “O objetivo é colocar esse conhecimento à disposição da sociedade, contribuindo para a geração de renda e emprego, além de incrementar a geração de energia renovável”, complementa o pesquisador. Antonio Tafuri, especialista da ABDI e também corresponsável pelo projeto, esclarece que a demanda por quantidade e qualidade de energia pelas cadeias agroindustriais foi verificada em Sorriso e região, considerando a oferta crescente de biomassa e uma sorte de resíduos e efluentes advindos daquelas atividades. “É importante observar que a metodologia que queremos desenvolver e validar junto aos produtores será replicável em todo território brasileiro”, afirma.

Os resíduos vegetais são abundantes no Brasil e sua utilização em novos materiais traz a possibilidade de alavancar a economia do País. O desenvolvimento de tecnologias para o tratamento e a utilização de resíduos visando à redução dos custos de produção e da poluição ambiental representa, ao mesmo tempo, um grande desafio e a perspectiva de desenvolvimento sustentável.

“Os resíduos são uma questão preocupante para os produtores e para o meio ambiente, quando descartados de modo inadequado. Nas visitas que fizemos à região, observamos o imenso potencial na agricultura e na pecuária, que pode não só reduzir custos de produção como também representar uma nova fonte de renda, por meio da comercialização da energia excedente”, esclarece Roberto Pedreira, da ordenação de Adensamento Produtivo da ABDI. “A ideia é trabalhar junto com a Embrapa Agroenergia neste banco de dados nacional em torno da biomassa, efluentes e resíduos e, principalmente, subsidiar políticas públicas aplicáveis em todo o país.”

Tecnologias integradas em prol da economia sustentável

Laviola lembra que a intenção é que o novo sistema “converse” com outros softwares já em uso na Embrapa para gestão agropecuária.

Ainda de acordo com o pesquisador, a expectativa é que a iniciativa abra portas para outras oportunidades de cooperação com o setor produtivo local. O fato de a Embrapa Agroenergia ser uma das empresas credenciadas da Empresa Brasileira de Pesquisa e Inovação Industrial (Embrapii) torna mais fácil e ágil a formação de parcerias com empresas para desenvolvimento de projetos de PD&I.

“O novo sistema se encaixa perfeitamente no âmbito da inovação aberta, no qual indústrias e organizações combinam ideias, processos e pesquisas para melhorar o desenvolvimento de seus produtos, prover melhores serviços para seus clientes e aumentar a eficiência e reforçar o valor agregado”, reforça Laviola, lembrando que o projeto piloto no Mato Grosso é o ponto de partida para expandir a sua atuação para outras regiões brasileiras.

Serviço:

O workshop “A biomassa na era da bioeconomia: perspectivas para o agronegócio do Mato Grosso” acontece no dia 30/08/2018 na cidade de Lucas do Rio Verde na parte da manhã.

À tarde, acontece a “Rodada de Inovação Tecnológica para o Mato Grosso: desenvolvendo soluções para agregar valor à biomassa, resíduos e efluentes”.

Mais informações: [email protected] / [email protected]

Tags: Agronegócio
Fonte: Embrapa

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27/11/2018

Demanda por crédito rural cresceu quase 50% em julho

A safra 2018/19 já começou com forte ritmo de contratações de crédito rural, puxadas por taxas de juros ainda menores que as praticadas pelos bancos na temporada anterior. Em julho, o primeiro mês do novo calendário agrícola, o montante de financiamentos tomado pelo setor agropecuário junto aos bancos cresceu 48,5%, para R$ 14,4 bilhões, em relação ao mesmo mês do ano-safra 2017/18.

A maior demanda por empréstimos no campo foi puxada principalmente pela demanda por crédito para custeio agropecuário, modalidade bastante procurada no início da safra quando os produtores se preparam para o plantio da safra. Essas operações atingiram R$ 10,1 bilhões no mês passado, uma alta de 53% sobre julho de 2017. Os financiamentos para investimento também cresceram, saltando de R$ 1,8 bilhão em julho de 2017 para R$ 2,1 bilhões no mesmo mês deste ano.

Os empréstimos que registraram maior aumento nas contratações foram os destinados à comercialização. Essa rubrica cresceu 70% em relação a julho de 2017, para R$ 2,2 bilhões.

Na avaliação de Fabrício Rosa, diretor- executivo da Aprosoja Brasil, entidade que representa os sojicultores do país, deve haver uma aceleração nos desembolsos de crédito rural nos primeiros meses desta nova safra, principalmente para a agricultura empresarial. O segmento tomou R$ 11,7 bilhões apenas nesse primeiro mês da nova temporada agrícola, 46,2% mais que no mesmo período de 2017/18.

“Como a safra passada foi a primeira em que os bancos foram autorizados pelo governo a praticar taxas de juros menores do que as fixadas pelo Plano Safra, os produtores já estão aguardando que isso se repita na nova safra agora”, afirmou Rosa.

Em média, o governo concedeu uma redução de um ponto percentual nas taxas de juros do Plano Safra 2018/19. Com isso, as taxas do custeio caíram para 7,5% e as de investimento para até 5,5% ao ano. O cenário de juros baixos na economia, com a taxa básica de juros (Selic) em 6,5% ao ano, abaixo ainda do atual patamar do custeio, sugere que os bancos podem praticar taxas menores que os tetos do Plano Safra, avalia Rosa.

O secretário de Política Agrícola do Ministério da Agricultura, Wilson Vaz, afirmou que o aumento na tomada de crédito rural no primeiro mês da safra é comum sempre que há uma queda de taxa de juros. Mas ponderou que ainda é cedo para dizer que a maior demanda dos produtores por crédito pode significar tendência de aumento na área plantada de grãos no novo ciclo.

A contratação de crédito rural cresceu em todos os grandes grupos de bancos que operam nesse mercado. No caso dos bancos públicos, puxados pelo Banco do Brasil, os desembolsos alcançaram R$ 8 bilhões em julho último, alta de 56,2% em relação ao mesmo intervalo de 2017.

Apenas o BB, líder desse mercado com participação de 60%, liberou um volume de crédito rural 32% maior do que em julho do ano passado, atingindo R$ 6,2 bilhões. Os privados também cresceram: o montante contratado subiu 58,3%, para R$ 3,8 bilhões.

Fonte: Valor Econômico.

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